quinta-feira, fevereiro 12

Manaus inicia articulações para sediar o 9º Fórum Nacional de Museus em 2026

Na quarta-feira (11/02), o Palacete Provincial, localizado na Praça Heliodoro Balbi, no Centro de Manaus, recebeu a primeira reunião de articulação para a realização do 9º Fórum Nacional de Museus. O encontro marcou o início oficial dos preparativos para o evento, que acontecerá de 23 a 27 de novembro de 2026, consolidando a capital amazonense como sede do maior encontro do setor museal brasileiro.

A programação do Fórum terá abertura no Teatro Amazonas, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e contará com atividades distribuídas em diversos espaços culturais da cidade. A expectativa é reunir cerca de mil participantes, entre profissionais de museus, gestores, pesquisadores, estudantes e representantes de redes e coletivos culturais, com parte das atividades transmitidas on-line.

Com o tema “Participação Social”, o 9º Fórum reforça a escuta qualificada, o diálogo federativo e a consolidação de diretrizes estruturantes para o setor. Instituído como instrumento de política pública, o encontro reunirá representantes de todas as regiões do país para debater, entre outros pontos, a reformulação do Sistema Brasileiro de Museus, a criação do Sistema de Participação Social do Ibram, a normatização do Fórum Nacional de Museus e a construção da Política Nacional de Diversidade para Museus e Pontos de Memória.

A realização do evento foi destacada pelo secretário executivo de Cultura do Amazonas, Cândido Jeremias, que reforçou o caráter coletivo da construção.

“É uma honra para o Amazonas sediar o Fórum, fruto de uma construção conjunta entre Governo do Estado, Prefeitura de Manaus, Ministério da Cultura, Ibram e demais instituições parceiras. Estamos preparando uma grande programação para receber os participantes, fortalecendo as políticas públicas para a cultura e a economia criativa, sempre de forma democrática e colaborativa”, declarou.

A presidente do Ibram, Fernanda Castro, destacou o simbolismo da escolha da Amazônia como território anfitrião.

“É importante a gente se distribuir em todas as regiões do país, mas, no momento que estamos vivendo no cenário mundial, com emergências climáticas e a necessidade de falar sobre meio ambiente e preservação, é fundamental estarmos aqui. Trazer o Fórum para a Amazônia é discutir o fator amazônico, reforçar que museus e memória são direito de todo o povo brasileiro e mostrar que o Brasil é diverso, com diferentes realidades”, afirmou.

A diretora do Departamento de Gestão de Museus da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Aline Santana, lembrou que a candidatura do Amazonas foi apresentada durante o 8º Fórum, em Fortaleza, e recebeu ampla adesão dos participantes.

“É um sentimento de felicidade absoluta. Quando apresentamos a candidatura do Amazonas, quase todas as pessoas levantaram seus crachás em apoio. É uma oportunidade de mostrar nossos museus, nosso patrimônio histórico, artístico e cultural para o Brasil e para o mundo. Já há caravanas sendo organizadas por outros estados para participar do Fórum”, destacou.

Além do impacto institucional, o evento também movimenta articulações para captação de recursos via Lei Rouanet. O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Henilton Menezes, apresentou orientações sobre o mecanismo e reforçou que as informações estão disponíveis nos canais oficiais do MinC, ampliando o acesso de instituições e patrocinadores.

A gerente de projetos da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Rejane Barbosa, explicou que a entidade atua como proponente do projeto junto ao Ministério da Cultura.

“A AADC funciona como proponente do projeto do Ibram para o 9º Fórum Nacional de Museus. Estamos estruturando parcerias com empresas nacionais e regionais, como Petrobras, Banco da Amazônia, Bemol, Eneva e Cigás, entre outras, para viabilizar o evento por meio da Lei Rouanet. A proposta é fortalecer a parceria público-privada e reduzir o impacto de recursos do Governo do Estado”, afirmou.

Durante a reunião, também foram debatidos pontos relacionados à infraestrutura, logística e articulação institucional entre as esferas federal, estadual e municipal. Participaram representantes da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, do Ibram, do Ministério da Cultura, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), além de instituições como Ufam, UEA, Suframa, Fieam e Manauscult.

Após sete anos sem edições, o Fórum foi retomado em 2024 e consolida, agora, sua continuidade como espaço estruturante das políticas públicas museais. A realização em Manaus reafirma o compromisso com a descentralização cultural, o fortalecimento dos museus amazônicos e o reconhecimento da memória e da diversidade como direitos fundamentais.

A expectativa é que o 9º Fórum Nacional de Museus não apenas consolide diretrizes para o setor, mas também projete a Amazônia como centro estratégico do debate museal brasileiro, ampliando a visibilidade, intercâmbio e oportunidades para a cultura da região Norte.

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