quarta-feira, março 4

Wilson Lima é o maior derrotado de 2026

Por Carlos Santiago*

        Tudo indica que o governador Wilson Lima será o maior derrotado de 2026, mesmo sem concorrer nas eleições gerais de outubro. Ele demonstrou fraqueza política e eleitoral após os resultados das eleições municipais de 2024, quando seus principais aliados foram derrotados – em especial em Manaus, onde fracassou ao tentar reeleger o presidente da Câmara Municipal e não obteve êxito com a candidatura do presidente da ALEAM. Somado ao distanciamento da família Bolsonaro, esse cenário obriga Lima a permanecer no cargo na tentativa de costurar acordos que preservem sua liberdade e seu futuro.

           Não houve comoção no anúncio da permanência de Lima no governo. Ao contrário: muitos dos que o aplaudiram, como prefeitos e deputados, estavam, no dia seguinte, celebrando com o pré-candidato Omar Aziz (PSD). O roteiro de despedida segue seu curso; a cada dia, o café do governador esfriará mais, e os fornecedores baterão com maior frequência à sua porta. Blogs, portais de notícias e revistas eletrônicas, anteriormente alimentados pela propaganda governamental, já buscam novos rumos para apostar no próximo governante.

        Nesse tabuleiro político, Omar Aziz – que já foi vereador, deputado estadual, secretário municipal e estadual, vice-prefeito, vice-governador, governador e senador – pode herdar os correligionários e o apoio da estrutura estatal hoje comandada por Lima. O perfil da maioria dos apoiadores do atual governador é o de eternos governistas, que não fazem política sem o suporte da máquina pública. Aziz sempre manteve boa relação com Wilson Lima e conta, agora, com a adesão de parte dos partidos de esquerda do Amazonas e do Governo Federal.

         Como o pré-candidato Eduardo Braga já possui o apoio de prefeitos do interior, os nomes de Plínio Valério (PSDB) e Alberto Neto (PL) podem atrair novos eleitores tanto na capital quanto no interior, em uma eleição marcada pelo sistema de dois votos para o Senado Federal. Braga, por sua vez, começa a ser pressionado a decidir se caminhará com Omar Aziz ou com David Almeida, podendo optar pela neutralidade na disputa pelo governo.

       O vice-governador Tadeu de Souza ainda pode concorrer a um cargo eletivo, mas terá que contar com a bênção de Wilson Lima ou do prefeito de Manaus para alcançar êxito. Amarrado à federação partidária comandada por Lima e sem o controle da máquina para a eleição, Tadeu corre o risco de encerrar sua breve carreira política, destino semelhante ao do ex-vice-governador Carlos Almeida Filho.

        David Almeida busca retornar ao governo estadual após uma breve passagem. Em 2018, como candidato quase desconhecido, alcançou 22% dos votos. Nessa conjuntura, na condição de prefeito reeleito de Manaus e sem o apoio de caciques do interior, resta-lhe o discurso antissistema e de oposição à gestão Wilson Lima. Contudo, terá que superar o desgaste de cinco anos como administrador de uma cidade repleta de problemas.

         Até as convenções partidárias, novos fatos e acordos políticos certamente surgirão. Entretanto, a única certeza do momento, após o anúncio da permanência do governador, é que ele é o maior derrotado de 2026, buscando no cargo apenas uma tábua de salvação para o futuro.

*Sociólogo, Cientista Político, advogado e Filósofo.

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