
No Dia Mundial da Tuberculose, celebrado nesta terça-feira (24), o Ministério da Saúde mostra os avanços do Brasil no controle da doença, como a ampliação do diagnóstico. Em 2025, o país detectou 89% dos casos estimados de tuberculose e está mais próximo de alcançar a meta de 90% estipulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O aumento de 76,3% na realização de testes moleculares foi um dos fatores que contribuiu para fortalecer a capacidade de diagnóstico, além do avanço no tratamento preventivo.
A detecção de novos casos de tuberculose sofreu impacto durante a pandemia de covid-19, com a interrupção dos serviços de saúde e consequente redução do diagnóstico oportuno e atraso no tratamento. A partir de 2023, o país conseguiu recuperar a capacidade diagnóstica, resultado que se mantém desde 2024, permitindo identificar a doença com mais agilidade, além de também fortalecer o diagnóstico da tuberculose drogarresistente (TBDR). No caso da TBDR, 95% dos pacientes elegíveis já utilizam esquemas curtos de tratamento, mais seguros e eficazes desde o primeiro ano de implementação.
“O enfrentamento da tuberculose exige ação contínua e integrada. Temos trabalhado para fortalecer a rede de atenção, qualificar os profissionais de saúde e garantir que cada pessoa tenha acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento adequado. Nosso compromisso é reduzir desigualdades e alcançar as populações mais vulneráveis, onde a doença ainda tem maior impacto. Isso passa por ampliar o cuidado no território, com busca ativa de casos e acompanhamento próximo dos pacientes”, destacou o ministro da Saúde Alexandre Padilha.
O Brasil também ampliou o tratamento preventivo da tuberculose (TPT), com mais de 46 mil pessoas iniciando o TPT e adesão superior a 75%, ampliando a proteção contra o adoecimento, especialmente entre populações consideradas de maior risco, como pessoas que tiveram contato com a doença e aquelas que vivem com HIV. Também houve expansão dos tratamentos preventivos mais curtos, que cresceram 170% entre 2022 (14 mil) e 2025 (37,8 mil) e hoje se consolidam como a principal estratégia no país.
O resultado reforça o compromisso do Governo do Brasil com a eliminação das doenças determinadas socialmente, uma das metas do Programa Brasil Saudável, lançado em 2024. O programa amplia as ações para além do setor saúde e fortalece a articulação interministerial. A iniciativa é estratégica para avançar na eliminação da tuberculose como problema de saúde pública no Brasil.
“Eliminar a tuberculose como problema de saúde pública é uma meta possível, e o Brasil está determinado a avançar com responsabilidade, evidência científica e fortalecimento do SUS”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.
Também houve avanço na integração com o cuidado ao HIV: a testagem para HIV entre novos casos de tuberculose aumentou 11,8% em dez anos (79,1% em 2014 a 88,4%, em 2024). Com isso, o acesso ao tratamento adequado cresceu significativamente, reduzindo a mortalidade na coinfecção.
Principais investimentos na TB
Entre os avanços recentes, destaca-se a incorporação da pretomanida 200 mg, que integra os esquemas encurtados BPaL e reduz o tratamento da tuberculose resistente de 18 para 6 meses, ampliando a adesão e a efetividade terapêutica.
Em 2025, foram destinados mais de R$ 73 milhões para a aquisição de cerca de 60 milhões de unidades farmacêuticas, garantindo o abastecimento, com distribuição realizada pelas Secretarias Estaduais de Saúde conforme a situação epidemiológica local.
Na Atenção Primária, profissionais de saúde em geral, com destaque para farmacêuticos e profissionais da enfermagem, têm papel estratégico no diagnóstico, na adesão ao tratamento e na prevenção do abandono, além de atuarem, desde 2025, no diagnóstico e tratamento da tuberculose latente. Para fortalecer essa atuação, o Ministério da Saúde lançará, em maio de 2026, o Guia e o Curso de Cuidado Farmacêutico na Tuberculose, voltados à qualificação da assistência nas redes do SUS.
“Estamos investindo em inovação e na incorporação de novas estratégias de cuidado, para tornar o tratamento mais eficiente e melhorar a adesão, sempre com foco na qualidade de vida das pessoas”, concluiu o ministro.
O que é a tuberculose?
A tuberculose está entre as doenças infecciosas com maior impacto global e continua sendo um importante problema de saúde pública, pois reflete e aprofunda desigualdades sociais e econômicas. No mundo, cerca de 10 milhões de pessoas adoecem e mais de 1 milhão morrem todos os anos. No Brasil, são registrados cerca de 84 mil casos novos por ano, com aproximadamente 6 mil óbitos.
O tratamento da tuberculose dura no mínimo seis meses, podendo ser reduzido para quatro meses em casos específicos, como em crianças com formas não graves da doença. Ele é gratuito e oferecido exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com o uso de uma combinação de medicamentos.
A tuberculose tem cura quando o tratamento é seguido corretamente até o final, e o acompanhamento por profissionais de saúde é essencial para garantir a adesão e orientar o paciente durante todo o processo.
Mesmo com a melhora dos sintomas nas primeiras semanas, é fundamental manter o tratamento até o fim, já que a interrupção pode agravar a doença e levar ao desenvolvimento de formas resistentes da tuberculose.
Além do tratamento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina BCG é uma das principais formas de prevenção da gravidade da doença. Aplicada ainda na infância, ela protege contra as formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a meníngea, e está disponível nas unidades básicas de saúde e em maternidades. Em 2025, a cobertura vacinal alcançou 98% no país e, até março de 2026, mais de 3 milhões de doses já foram distribuídas em todo o Brasil.
Ministério da Saúde
