terça-feira, março 3

Coluna

O meu encontro com Sofia

O meu encontro com Sofia

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Por Carlos Santiago*      Não, não e não. Não vou escrever sobre a postura vassala de parte dos partidos de esquerda do Amazonas que está submissa aos caciques políticos. Não quero achar inusitada a reunião de delegados federais com o pré-candidato Omar Aziz, em pleno ano eleitoral. Não pretendo discorrer sobre a patifaria dos penduricalhos pagos aos poderosos do setor público. Não cito como o patrimonialismo captura a política e as instituições de Estado no Brasil. Pretendo sim, com o coração amoroso e mente livre dedicar espaço ao meu encontro com Sofia.      Antes de escrever sobre Sofia, pensei sobre a "mão invisível" que controla tudo na Secretaria de Educação do Amazonas, conforme o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Ari Moutinh...
A queda de um império

A queda de um império

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Não sei se viverei os próximos anos, mas me sinto regozijado por estar vendo a queda de um império. É Um caminho inexorável da história. Com o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos se tornaram absolutos em todo ocidente e mesmo no oriente, já que os países desenvolvidos daquele lado do mundo passaram a rezar na cartilha econômica do Tio Sam. O sistema econômico mundial, lastreado pelo dólar, começou a ser desenhado e implantado com os Acordos de Bretton Woods, em 1944, ganhando supremacia em 1971, com o dólar deixando de ser convertido em ouro e passando a ser uma moeda fiduciária (a moeda funciona como um banco). Claro, a força econômica dos Estados Unidos começou no fim do século XIX, com os ventos da Revolução Industrial, mas foi na Segunda Guerra Mundial que o país ganhou pode...
O sentido da arte humana

O sentido da arte humana

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Por Carlos Santiago*     Se o Ser Humano não existe tão somente para dormir, comer e reproduzir, então qual o papel da arte na sua vida? É possível refletir sobre suas dores, decepções, alegrias e limitações?  É possível usá-la para estar descontente contente? Pode ser uma luz capaz de transformar o indivíduo e o mundo ou de escravizá-lo? São inúmeras questões filosóficas que envolvem a arte.       Com o surgimento da consciência, do início da capacidade de entender a complexidade do mundo e de sua finitude, o Homo Sapiens deixou de ser apenas uma espécie biológica e passou a construir arte nas diversas formas e expressões, sendo ela capaz de expor a condição humana que envolve o medo, a valentia, o mal, a bondade, a tristeza, a alegria, o...
2026 e a luta entre a civilização e a barbárie

2026 e a luta entre a civilização e a barbárie

Coluna
Há um debate antigo nas ciências sociais sobre o marco que separou barbárie e civilização. Alguns autores afirmam ser o uso do fogo; outros, a proibição do incesto. Há, ainda, aqueles que consideram a evolução tecnológica, enfatizando não um marco, mas um processo. O certo é que vivemos em evolução e involução quando se trata de história. Mas há um processo de desenvolvimento irrefreável, como a tecnologia e os acordos tácitos de civilização, que compreendem normas coletivas de convivência e organização social. Não é possível aceitar o retorno da barbárie como padrão de convivência ou negação de tudo que foi conquistado pelo processo civilizatório. As relações sociais e políticas não podem se nortear pela recusa do conhecimento adquirido em milhares de anos, que nos fez chegar aqu...
Solidariedade ou fingimento? Uma crônica de Natal

Solidariedade ou fingimento? Uma crônica de Natal

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Minha mãe tinha grande vivacidade para identificar "gente fingida", aquela que mostra ser o que não é. Fingimento é o nome popular da hipocrisia. Mas provoca mais incômodo. Mamãe sabia disso e não pensava duas vezes em chamar um hipócrita de fingido ou uma hipócrita de fingida. Acho que minha velha nem conhecia o adjetivo hipócrita. Este mês de dezembro bem que poderia ser o mês do fingimento, representado pela cor cinza. A gente fingida, que passa o ano sem fazer um gesto de solidariedade, se veste até de Papai ou Mamãe Noel para fingir ser o que não é. A solidariedade não pode ser confundida com fingimento. Ela é mais do que um substantivo abstrato. É uma ação humana que não tem dia para ser praticada. Tem espírito e alma. Sabe aquele empresário que defende o livre mercado...
Levar a vida e a nova sabedoria com leveza

Levar a vida e a nova sabedoria com leveza

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Por Carlos Santiago *        Gaia Ciência (1887) é uma das obras mais importes do filósofo e filólogo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) que foi escrita na forma de metáfora e com um tom bem poético para indicar um novo estilo de fazer ciência, como os trovadores provençais franceses na Idade Média que cantavam alegremente a vida real, o mundo mundano e com compromisso com a liberdade. Com isso, o filósofo rompe com a ciência tradicional e expressa uma nova forma de provocar e de mostrar a vida vivida com razão e também com a alegria do mundo vivente, como os trovadores.       Nos escritos poéticos, Nietzsche demonstra como pensar e fazer filosofia com leveza sem ser carrancudo, sem ser sério demais, com humor, em que existe ...
Em busca de dias melhores

Em busca de dias melhores

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Por Carlos Santiago*      O viver com medo e incertezas é um desafio dos nossos tempos. Não é fácil assistir ou fazer parte de um mundo em que pessoas morrem nas guerras insanas; nos conflitos violentos nas periferias das cidades e, também, de fome por causa da exclusão social; onde a maioria dos políticos troca a representação autorizada pelo voto popular por negociatas e pela expansão de dominação familiar; em que Estados e seus parceiros escolhem quem vai morrer e quem merece viver. Parece que tudo tende a dias piores. Mas é possível mudar, construir um mundo fraterno e com a certeza de dias melhores para todos. Não é tarefa fácil.      Existe uma realidade no mundo e no Brasil que precisa ser mudada com muita fé, com ações políticas prática...
Famílias Lins e Cláudio de Souza estão, novamente, no comando do TCE-AM

Famílias Lins e Cláudio de Souza estão, novamente, no comando do TCE-AM

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Há 60 anos, desde do século passado, as famílias Lins e Cláudio de Souza são sinônimas de Poder no Amazonas. Agora comandam, novamente, o Tribunal de Contas do Estado - TCE-AM. Com a nova posse de presidente, Yara Lins conquista 6 (seis) mandatos dos Lins no comando do TCE-AM, enquanto Josué Neto como vice, faz valer a tradição do nome na Corte de Contas, depois do seu avô e do seu pai. Independentemente de governos, de ideologias e de regime político, as famílias estiveram e estão nas estruturas de Poder do Estado. E isso é um belo desafio para os estudos em Ciência Política e para uma reflexão social do Amazonas.      Não se trata de uma simples narrativa, são fatos históricos e atos administrativos conduzidos com muita transparência.  Na comemoração dos seus ...
Os desafios da distinção entre direita e esquerda na atualidade

Os desafios da distinção entre direita e esquerda na atualidade

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Por Carlos Santiago*      Nos países declarados de regime democrático existem embates sociais, midiáticos, econômicos e eleitorais envolvendo o espectro político esquerda-direita, o que não é novidade nem para a história da sociedade contemporânea, nem para os espaços de produção acadêmica e científica e de comunicação jornalística, levando ao desafio de apreender essa questão em face de cenário de grandes transformações nas últimas décadas.       O contexto histórico atual, numa modernidade em que Bauman (2001) denomina de “líquida”, não existe nada sólido, tudo se dissolve com fluidez, com as novas formas de relacionamentos, com os novos modelos de participação da população no regime democrático, com novos modos de perceber o poder, com ...
O adeus ao discípulo de Jesus Cristo

O adeus ao discípulo de Jesus Cristo

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Por Carlos Santiago*    Com as mãos marcadas pelo trabalho, rosto sorridente, coração cheio de fé, orgulhoso de ter nascido naquela terra e pela família que construiu, ele acordava todo dia cedinho para contemplar o nascer do sol mais lindo do planeta, sentir o cheiro do rio e da floresta Amazônica. Olhava para o Céu, abria os braços, lembrava de sua vida, agradecia a Deus, nada foi fácil diante das incertezas humanas e das durezas naturais impostas, mas sempre acreditou e praticou o amor, mesmo quando precisava contrariar os malfeitores.      Carmelo Anjoile sabia que a vida não era eterna. Perdeu os pais, os cachorros, os amigos, a sobrinha, o sobrinho, os primos, a irmã e a neta, apesar disso, não abriu mão de viver para servir ao próximo, sempre com ...